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Selecção de Abril - 2008 - Esgotado
 
Matador Kazuko Miyamoto 2004 de Benjamín Romeo

Estamos especialmente orgulhosos, e porque não dizê-lo, envaidecidos com a selecção deste mês. Afinal, raras vezes temos oportunidade de desenterrar um tesouro com esta dimensão! Um vinho da colecção "Matador", um vinho único e irrepetível, que só um misto de fortuna e empenho sólido nos permitiu interceptar para o clube.

A revista "Matador" é um projecto editorial radical e extremado, um verdadeiro objecto de culto. Atentemos à sua singularidade - um número por ano, apenas 3.000 exemplares numerados por edição e um cúmulo editorial que se irá resumir a 28 publicações... tantas quantas as letras do alfabeto. E, por cada edição, é lançado um vinho ímpar e exclusivo, traçado por um enólogo de prestígio, ilustrado por um artista de vanguarda.
Para guarnecer a letra "J" deste projecto tão singular que junta arte, cultura, tendências e vinho foi escolhido um rótulo desenhado por Kazuko Miyamoto e um vinho elaborado por Benjamín Romeo, um dos enólogos mais carismáticos de Espanha. Um nome pouco mediático de um homem sereno e reservado, um enólogo obstinado e introspectivo que durante quinze anos segurou as rédeas da Artadi, referência imprescindível da revolução vinícola espanhola. Mas foi o seu projecto pessoal, em San Vicente de la Sonsierra, na solidão da Rioja profunda, que o lançou no estrelato. Sobretudo quando a publicação de Robert Parker lhe atribuiu, por duas vezes consecutivas, 100 pontos de classificação ao seu vinho "Contador". Nada que desnorteie Benjamín Romeo, ocupado com a redenção das dezenas de pequenas parcelas de vinhas velhas que governa.

Uma contradição aparente entre a vanguarda urbana criativa de Nova York e o amor pela solidão, pelas vinhas velhas, pela paz e harmonia ingénua do campo. Uma contradição que se estende ao vinho, no conflito entre a fluência e languidez dos taninos sólidos e a acidez mordaz que o refresca e aviva. Um vinho enorme que nos deixa marcas profundas. Um vinho único em todos os sentidos. Só para si!

Características
Região: Rioja
Castas: Tempranillo e Garnacha
Estágio: 18 meses em 11 barricas de carvalho francês de 11 prestigiadas tonelarias
Teor Alcoólico: 14%
Produção: 3.100 garrafas
Enólogo: Benjamín Romeo
País: Espanha
O nosso Preço: 1 x 59,70 EUR

Ponte das Canas 2005

Afinal, do antigo também se pode fazer novo. A tradição também pode dar lugar à inovação. É bom descobri que o respeito pela tradição e pela memória não são incompatíveis com o entusiasmo pelo futuro e pela inovação. Porque, se da Herdade do Mouchão esperamos sempre a manutenção de um espírito intemporal, do resguardo da tradição, nada nos impede de fantasiar com a evolução.

E Este Ponte das Canas 2005 é uma evolução, mas sobretudo, uma revolução. Uma revolução porque não assistíamos à nascença de um vinho novo na casa desde 1996. Uma revolução porque o espírito presente cambiou radicalmente, num vinho de ânimo rebelde e ardente. Uma revolução na imagem percepcionada, no rótulo, na garrafa estilizada, na apresentação contemporânea. Mas também uma evolução, porque, apesar da evidente modernidade, há pontes que não foram talhadas. Apesar da juventude e modernidade subsiste o espírito Mouchão, com um leve travo de rusticidade alentejana que lhe assenta tão bem. Uma evolução porque, apesar da modernidade e quase exotismo das castas Touriga Nacional e Touriga Franca, mantém-se o legado do passado com a adição da sempre querida Alicante Bouschet. Este Ponte das Canas é pois um vinho de pontes e equilíbrios, com pilares escorados no passado e no futuro, um vinho que junta o melhor de dois mundos que não têm de ser antagónicos.

Associar perfis tão radicalmente distintos pode redundar em desastre. Não é seguramente o caso deste Ponte das Canas que consegue ser em simultâneo um vinho potente mas equilibrado, frutado mas austero, pujante mas fresco. É um vinho capaz de nos proporcionar prazer imediato, anunciando com estrondo a sua capacidade de guarda. Um vinho de nervo e vibração que anuncia a chegada de uma nova era ao Mouchão. Um profundo contraste com o passado. Um vinho decisivo!

Características
Região: Alentejo
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca e Alicante Bouschet
Teor Alcoólico: 14,5%
Produção: 6.000 garrafas
Enólogo: Paulo Laureano
País: Portugal
O nosso Preço: 2 x 16,40 EUR

Malhadinha 2006

É fácil fazer bons vinhos nos anos favoráveis, nos anos quase perfeitos, nos grandes das grandes facilidades. É possível, e até provável, conseguir fazer um grande vinho, pelo menos uma vez na vida. Mais difícil, muito mais difícil, é conseguir manter a consistência e solidez, ao longo dos anos. Ainda mais trabalhoso é conseguir melhorar os vinhos, anos após ano, num movimento crescente de perfeição e mestria. Mas o que é realmente crítico e delicado, só ao alcance de poucos, é a capacidade de fazer um grande vinho nos anos difíceis, nos anos onde as forças da natureza se parecem juntar para a desgraça humana. É nos anos verdadeiramente problemáticos que se separa o trigo do joio, que se entende a diferença entre o acaso e o saber, a experiência e o conhecimento. O ano 2006 foi um desses anos raros, onde tudo parece correr mal. O calor tórrido e incessante foi tão profundo que as vinhas entraram em estado de pré-hibernação, estacionando num limbo de silêncio, estáticas, numa tentativa de conservação e sobrevivência. Claro, depois chegou a uva passa, a fruta queimada pela inclemência do sol e do calor. Foi precisa mestria e sabedoria para poder contrariar as forças da natureza.

E é aqui, neste momentos decisivos, que os bons produtores se revelam. É aqui que a atenção aos detalhes, os cuidados dedicados e continuados na vinha, são recompensados. É aqui que se percebem os proveitos da procura da perfeição absoluta. Um passeio pela adega e pela vinha são suficientes para perceber a obsessão com o perfeccionismo. Só isso pode explicar as virtudes claras deste Malhadinha 2006, um vinho carnudo e frutado, sem o fardo da sobrematuração que aflige os seus pares. Só isso pode explicar a pujança, mas sobretudo, a frescura e viço deste Malhadinha 2006. Juntar dureza, rigor, fruta, complexidade e vigor, num ano como 2006, é sinal de que se alcançou a maioridade. Abra-o com duas horas de antecedência e prepare-se para descobrir um vinho adulto.

Características
Região: Alentejo
Castas: Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah e Aragonês
Vinificação: Lagares com pisa a pé
Estágio: 14 meses em barricas novas carvalho francês
Teor Alcoólico: 14,5%
Enólogo: Luis Duarte
O nosso Preço: 2 x 36,00 EUR

Giro Sol 2006

Giro Sol, é esta a novidade do Vinho Verde que lhe apresentamos este mês. Chama-se Giro Sol porque Dirk Niepoort queria mesmo fazer um vinho giro, um vinho divertido, catita e despretensioso, um vinho fresco e simpático que dê gozo beber. Um vinho fácil e franco, agradável e entusiástico. Tudo aquilo que o Vinho Verde deveria ser...

A vontade de fazer um vinho especial na região do Vinho Verde é antiga. Tão antiga e duradoura que, em tempos idos, no distante ano de 1992, já se tinha abalançado a fazer um Alvarinho fermentado e estagiado em madeira, o saudoso Gábia. As responsabilidades naturais da casa mãe obrigaram-no, por manifesta falta de tempo, a adiar sucessivamente a vontade e os projectos de novas aventuras no Vinho Verde. Até que, em 2006, surgiu nova oportunidade de desenhar um Vinho Verde, novamente um Alvarinho, ou melhor dois Alvarinhos, com e sem estágio em madeira, desta vez em parceria com Luís Cerdeira. Já se sabe, as conversas são como as cerejas, e quando duas mentes inquietas se juntam podemos sempre esperar grandes decisões e grandes desígnios. Uma das conversas conduziu a casta Loureiro à mesa da discussão. De imediato se presenteou um novo desafio a Dirk Niepoort. Porque não tentar fazer um vinho extreme com a casta Loureiro, um vinho fino, aromático, com boa acidez e pouco grau que conseguisse proporcionar momentos de prazer? Dito e efeito! Em pouco tempo encontraram uma vinha interessante em Ponte de Lima... e pouco depois nasceram 4.400 garrafas deste Giro Sol 2006.

Não é um vinho de terroir que queira mostrar o potencial de uma vinha, de uma localização. É um vinho fresco e mineral, um vinho leve, muito levemente gordo, pouco alcoólico mas intenso e espontâneo. É um grito de alerta para toda uma região, uma forma de afirmação do potencial do Vinho Verde para fazer vinhos leves, frescos, com pouco grau. Aquilo que o mundo inteiro deseja e que a nova gastronomia anseia e procura! Um Vinho Verde estimulante.

Características
Região: Vinho Verde
Castas: 100% Loureiro
Estágio: Inox
Teor Alcoólico: 11,5%
Produção: 4.400 garrafas
Enólogo: Dirk Niepoort e Luís Cerdeira
País: Portugal
O nosso Preço: 1 x 8,50 EUR


Selecção de Abril - 6 Garrafas
Produto O nosso Preço
Matador Kazuko Miyamoto 2004 de Benjamín Romeo 1 x 59,70 EUR
Ponte das Canas 2005 2 x 16,40 EUR
Malhadinha 2006 2 x 36,00 EUR
Giro Sol 2006 1 x 8,50 EUR
Totais:   173,00 EUR

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